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Afoxé Obá completa 42 anos consolidado como referência cultural em Itaparica



Fundado há 42 anos por Ojés, sacerdotes do culto Egungun, o Afoxé Obá é o primeiro e mais antigo afoxé da Ilha de Itaparica. Criado em Ponta de Areia, território marcado pela ancestralidade, fé e resistência do povo preto, o grupo construiu sua trajetória profundamente ligada à tradição Egungun, que reconhece os ancestrais como presença viva, orientadora e estruturante da comunidade.


O tema para o carnaval deste ano é: “Somos resposta das orações dos que estiveram aqui antes de nós”. A escolha reforça a compreensão de que a permanência do grupo é resultado direto das rezas, lutas e estratégias de sobrevivência construídas pelos ancestrais. O tema se afirma como posicionamento político, espiritual e histórico, ao destacar que o presente só é possível porque houve resistência no passado.


Para Cláudio Alves (Oje Basorun), celebrar os 42 anos do Afoxé Obá, é celebrar a permanência da tradição Egungun, a força dos Ojés e a certeza de que as comunidades de axé seguem sendo resposta das orações daqueles que vieram antes. "O grupo se consolidou como um importante instrumento de educação cultural, enfrentamento ao racismo, combate à intolerância religiosa e fortalecimento comunitário, mantendo viva a tradição dos afoxés como expressão legítima da cultura afro-baiana. 6, o grupo volta às ruas da Ilha de Itaparica no domingo e na terça-feira de Carnaval, reafirmando o território como espaço de ancestralidade viva e o afoxé como lugar onde fé, cultura e política caminham juntas", diz.


A base espiritual e histórica é o Ilê Omo Agboulá, um dos mais antigos e respeitados terreiros da tradição Egungun no Brasil, além da participação de integrantes de outros terreiros Egungun da ilha. Essa origem confere ao afoxé um caráter único: mais do que uma manifestação carnavalesca, se estabelece como uma extensão ritual, pedagógica e comunitária da tradição ancestral.


Essa herança se reflete diretamente nas composições musicais do grupo. As letras reverenciam os ancestrais, os Egungun e os Orixá, transformando o cortejo em um espaço de memória, fé e afirmação identitária. Cada canto, ritmo e movimento carrega fundamentos da tradição e reafirma a continuidade de saberes transmitidos entre gerações.


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