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Cinco documentários sobre os saberes do povo de axé que merecem sua atenção

Os documentários desempenham um papel importante na preservação da memória, no combate aos estereótipos e na valorização dos povos de terreiro. Ao reunir relatos, registros históricos e vivências de sacerdotes, comunidades e pesquisadores, essas produções ampliam o conhecimento sobre as religiões de matriz africana e suas contribuições para a cultura brasileira. Pensando nisso, selecionei cinco documentários que abordam diferentes aspectos do nosso universo e que ajudam a compreender a história destes espaços.


1- Cá te espero, no Tumbenci - Saberes e Fazeres

É um documentário que faz parte da pesquisa de Hildete Costa e retrata o legado ancestral de uma das casas mais antigas do Candomblé Congo-Angola do país, O Terreiro Tumbenci é uma casa fundada em 1850, pelo africano liberto Roberto Barros Reis (Tata Kinunga), posteriormente dirigido pela mais celebre Nengua de Nkisi, lendária Mametu Maria Neném, como era conhecida a saudosa Maria Genoveva do Bomfim, considerada a grande Mãe do Angola. Atualmente, o terreiro é conduzido por sua sobrinha-neta, a adorável Nengua Lembamuxi, que segue esse legado religiosamente e preserva os saberes e fazeres desta respeitável linhagem ancestral. O documentário é um convite para que as pessoas conheçam esse espaço de grande importância histórica e ancestral para o povo negro no Brasil.



2- A Feijoada de Vovó Maria Conga

É um documentário que retrata a riqueza cultural e histórica deste belo ritual praticado pela Umbanda. Foi produzido no Terreiro União Espirita Santa Barbara, que é uma tradicional casa dirigida pela querida Mãe Neide de Oya. No documentário, podemos, também, admirar a presencial afetiva da saudosa Chica Xavier, uma das atrizes mais icônicas da televisão e do teatro brasileiro, que foi também uma grande sacerdotisa de Umbanda.



3- Hùndàngbènã: O Ninho da Serpente

Um filme de Mazé Mixo, que retrata o cotidiano do Terreiro Húmkpàmé Hùndàngbènă, fundado pela saudosa, já falecida, Gaiaku Regina de Avimaje. O terreiro é dirigido pelo por Mèjitó Marcos de Gbafono Deká, sendo descendente da matriz baiana, o Húmkpàmé Ayono Huntoloji, fundada pela inesquecível Gaiaku Luíza de Oyá. No documentário, conhecemos um pouco do dia a dia deste terreiro, que mantém viva as tradições do Jèjí Cachoeirano em terras cariocas. Este foi um dos documentários pioneiros, a abordar o Jéjì Màxí Baiano, e apresentar ao mundo a beleza e o encanto da nação.



4- Orixá Ninú Ilé

O clássico documentário Orixá Ninú Ilé (1978), dirigido pela antropóloga e pesquisadora Juana Elbein dos Santos, é um registro histórico e etnográfico focado nas tradições do Candomblé, mostrando a vivência, a arte, os saberes, fazeres e os ritos de um respeitado terreiro de tradição Nagô na Bahia. Ele retrata o culto ao panteão da terra (Omulu, Nanã e Oxumare) dentro do Ilê Axé Opô Ofonjá, trazendo importantes registros sobre a arte sacra afro-brasileira, retratando as criações artísticas do saudoso Mestre Didi (Deuscórides Maximiliano dos Santos), sacerdote (Alapini) e artista plástico que teve e tem grande importância. Registros como este retratam a beleza e os encantos da arte em nossa cultura e religiosidade, sem dúvida é um documentário de grande importância histórica e cultural.



5- Casa das Minas – O Santuário Empoeirado

Esse importante documentário registra as memórias e o legado de resistência da Casa das Minas, que é, sem dúvidas, um dos terreiros mais tradicionais de Tambor de Mina do país

Nesse documentário podemos observar a rotina das Vodunsís e a presença dos Voduns, assim como a preocupação da manutenção e preservação da nossa cultura. Ele traz uma atmosfera poética onde está registrada as dificuldades na manutenção dos saberes ancestrais e a preocupação dessas Vodunsís na perpetuação deste legado. Ao assistir, nos colocamos frente à frente com as muitas feridas do nosso povo, o processo histórico de demonização de Legba e as dificuldades enfrentadas pelas mais velhas perante a modernidade.



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