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Empreendedorismo com propósito: Eliene Vale une tecnologia, estética e ancestralidade na Ótica das Rainhas

Atualizado: 13 de nov. de 2025

Foto: Mariana Seixas
Foto: Mariana Seixas

A Ótica das Rainhas, idealizada por Eliene Vale, mulher preta e empreendedora, tem se destacado em Salvador como um espaço que une cuidado com a visão, autoestima e ancestralidade. Inspirada pela fé e pela vivência no Candomblé, Eliene transformou seu olhar sensível em um negócio com propósito: valorizar a beleza e a identidade do povo de terreiro e das mulheres pretas. Mais do que uma ótica, o projeto se consolidou como um movimento de acolhimento, empoderamento e representatividade, onde enxergar bem também significa se ver com amor e pertencimento.


Conversamos com a empreendedora sobre o trabalho desenvolvido na ótica, leia na integra:


1- Como surgiu a ideia de criar a Ótica das Rainhas?



Foto: Mariana Seixas
Foto: Mariana Seixas

Eu comecei a trabalhar no mercado óptico com meus tios porque, naquela época, eu não podia mais viajar tanto para trabalhar. Eu tinha um bebê e precisava estar mais presente. Essa ideia não foi apenas uma escolha profissional, foi um verdadeiro chamado da minha espiritualidade.


2- Qual foi o principal desafio pra transformar essa vivência pessoal e ancestral em um negócio?


Os desafios do mercado onde predominam pessoas evangélicas são muitos. Desde os laboratórios e representantes, até os cursos e parcerias. Em meio a isso, acabei perdendo cerca de 60% dos meus clientes. Mesmo assim, nunca deixei de acreditar em Oyá. Já enfrentei muita intolerância e passei por diversas humilhações, rsrs, mas Oyá sempre me fortaleceu e me manteve firme no meu propósito.


3- Por que o nome “Ótica das Rainhas”? O que ele representa pra você?


O nome Ótica das Rainhas foi um presente de um homem de Sogbô (Xangô), alguém que tenho profundo respeito e admiração. Esse nome foi validado pela minha ancestral e representa exatamente aquilo que Oyá e Oxum, as minhas Rainhas, desejavam. Para mim, esse nome carrega uma simbologia espiritual muito forte e uma ancestralidade latente é a ótica das nossas Mães Rainhas, a expressão do poder feminino que ilumina tudo no céu e na terra.


4- De que forma o Candomblé e a ancestralidade influenciam nas decisões e na estética da marca?


O Candomblé influencia desde a CEO, uma mulher feita e com cargo no àṣẹ, até os clientes. Eu queria muito que o Candomblé me abraçasse mais. Quando meus clientes eram evangélicos, eu sentia mais apoio... Mas é isso: o Candomblé é a minha base, minha força e meu caminho.


5- Como funciona o atendimento humanizado que vocês oferecem?


Foto: Ze Ricardo
Foto: Ze Ricardo

Nosso atendimento começa, na maioria das vezes, pelo WhatsApp, onde iniciamos a consultoria de lentes e esclarecemos as dúvidas dos clientes. Em seguida, vamos até eles no local onde se sentirem mais confortáveis para realizar a consultoria presencial e a escolha das armações. Nosso objetivo é sempre potencializar a força dos nossos traços, exaltando nossa identidade e quebrando os padrões impostos pelo mundo ocidental. Assim, cada atendimento é único e personalizado, feito especialmente para a nossa corte.


6- Em que momento você percebeu que a visão e a autoestima das mulheres pretas poderiam estar conectadas?


Eu já trabalhava com ótica, junto aos meus tios e primos. Na minha obrigação de um ano, meu babalorixá me chamou para uma conversa, e entre os assuntos, estava a transformação da ótica para algo que também trabalhasse com a ancestralidade. Ele disse que era um pedido de Oyá. Na época, eu trabalhava para pessoas evangélicas, e a maioria dos meus clientes, também era desse público. Essa proposta da minha mãe (Oyá) me causou aflição, porque, por mais que eu pensasse, não conseguia enxergar uma ótica nesse lugar ancestral. Até que, em um jantar, conversando com Dofono Hunxi, ele me trouxe o nome “Ótica da Rainha”. E então, minha mãe, hoje minha ancestral, dona Conceição disse: “Você não é rainha sozinha, o nome é Ótica das Rainhas.” Pronto. Assim como dizem os africanos, “o nome muda todo o caminho.” A partir daí, comecei a pensar em várias coisas que culminaram nesse projeto de valorização da estética negra através da visão.


7- Quais são as diferenças mais marcantes entre o serviço da Ótica das Rainhas e o de uma ótica tradicional?


Nosso principal diferencial está no atendimento personalizado, que inclui o deslocamento até o cliente, oferecendo comodidade especialmente àqueles que enfrentam dificuldades para se locomover. Outro ponto que nos destaca, é o comprometimento com a valorização da estética afrocentrada. Rompemos com padrões impostos e fortalecemos um movimento onde mulheres e homens negros expressam sua identidade ancestral por meio de roupas e acessórios marcantes, vibrantes e cheios de significado cultural.


8- Quem é Eliene Vale?

Uma mulher preta, mãe solo de duas meninas e filha de uma mulher poderosa, dona Conceição Vale, e do senhor Edvaldo Vale. Meus ancestrais que me ensinaram a caminhar com dignidade, força e fé. Sou Omo Orixá, iniciada em 19 de novembro de 2018, pelo Babalorisa Indare Sá e Ìyálòrìsà Preta de Oxaguian, no Ilê Axé Alaketu Obataio. Sou filha de Oyá e Oxum, cultuadora de Orunmilá Ifá, Ekedji de Oyá e Ìransé escolhida por Babá Obaluaiyê. Atuo como consultora óptica e especialista em lentes oftálmicas Personal Glasses, unindo técnica, estética e cuidado no olhar. Sou idealizadora do projeto Ótica das Rainhas, a primeira ótica afrocentrada do Brasil, um espaço onde a visão e a ancestralidade se encontram, exaltando a beleza, a força e a realeza do povo preto.


Acompanhe o instagram da ótica e fique por dentro das novidades: https://www.instagram.com/oticadasrainhasoficial

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