Lançamento da 5ª edição do Olojá marca nova fase da celebração dedicada a Exu
- Laísa Gabriela

- 9 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de dez. de 2025

"Um corpo sem Exú, é um corpo em coma", palavras do Babalorixá Rychelmy Imbiriba, um dos idealizadores do "Olojá, Senhor do Mercado", proposta que ressignifica o preconceito recorrente em torno desta divindade. O evento chega a sua 5ª edição, em 2026, e traz como tema: “Do Mercado: da Feira de São Joaquim para o Mundo”. O lançamento é gratuito e aberto ao público, no dia 17 de dezembro, a partir das 18h, no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, e marca mais um capítulo da consolidação dessa manifestação no cenário cultural da cidade.
Este ano, o Olojá ingressou o Calendário Oficial de Festas Populares de Salvador, segundo Anane Simões (Dantayo), presidente, produtora geral e cofundadora, é uma conquista construída coletivamente.
A abertura contará com acolhimento inicial e uma atração cultural, que introduz o espirito do evento: encontro, movimento e ancestralidade. Durante o lançamento, serão homenageados os terreiros, lideranças, feirantes e pessoas que caminham junto com o projeto desde a primeira edição.

"No evento, também será apresentada a pauta central que defendemos há anos: que o Olojá seja reconhecido como Festa Popular do Estado da Bahia, garantindo legitimidade e proteção institucional à celebração. O Olojá é a casa de todos nós. Aqui, a gente acolhe, ama, brinca e é feliz com o nosso povo. É uma proposta que nasceu para unir, para aquilombar, para aglutinar potências, para gerar alianças, mais uma, entre tantas que o povo de santo constrói todos os dias para existir e resistir. O Olojá só existe porque essas casas, esses corpos e essas memórias sustentam a trajetória, fortalecem os vínculos e mantêm acesa a chama da tradição", explica
A proposta, que leva milhares de pessoas a Feira de São Joaquim, acontece em parceria com a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA). A ação faz parte do Projeto Agô Bahia, que busca valorizar as religiões de matriz africana e combater o racismo religioso.

Na Bahia, não haviam festas públicas destinadas ao Orixá, que sempre foi marginalizado e associado ao diabo cristão. "Hoje, o Olojá é um lugar de desconstrução da imagem negativa de Exu. E aí, trazemos toda a força do povo negro para a Feira de São Joaquim, que é um espaço de trocas e que a gente vive, a gente come desse espaço, a gente bebe desse espaço. O Olojá é isso! Trazemos a verdadeira face, a verdadeira energia do povo negro, do povo de axé", explica Babá Rychelmy.
A celebração começou em 2022, nasceu e se fortaleceu na Feira de São Joaquim, o maior mercado livre da Bahia, espaço de encontro, diversidade, troca e circulação de energias. "Eu sempre considerei a feira de São Joaquim o shopping de todos nós, adeptos do Candomblé. E sentia falta de um evento que marcasse isso, que deixasse isso bem claro, que esse espaço tem dono e que o dono desse espaço é Exú Olojá", afirma Gilmar Sampaio, cofundador do evento.
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