MUNCAB abre visitação da exposição “Padê Onã”, de Sandro Aiyê
- projetookandudu
- há 8 horas
- 2 min de leitura
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira segue com visitação aberta para a exposição “Padê Onã – Encontrar Caminhos”, do artista visual Sandro Aiyê. Instalada no Jardim das Esculturas, novo espaço a céu aberto do museu, a mostra reúne sete obras produzidas a partir de madeiras de demolição e propõe reflexões sobre memória, permanência e presença negra na arte contemporânea.
Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição apresenta esculturas verticais de grande porte construídas com materiais marcados pelo tempo e pelo uso. O artista incorpora as marcas de madeiras às obras, utilizando a matéria como elemento central da narrativa estética.
A proposta de Sandro parte da reorganização de materiais que carregam diferentes histórias e experiências, criando novas possibilidades de leitura e interpretação. As esculturas exploram relações de equilíbrio, escala e ocupação do espaço, estimulando o público a circular entre as obras e estabelecer conexões com o ambiente expositivo.

A mostra dialoga com a simbologia de Exú como princípio relacionado ao movimento, à comunicação e à abertura de caminhos. A referência aparece como eixo conceitual da exposição e contribui para ampliar discussões sobre representações negras no circuito das artes visuais, deslocando leituras estigmatizadas e reafirmando essas referências no centro da produção contemporânea.
O título “Padê Onã” reforça esse conceito. “Padê” remete ao gesto de abertura e início dos caminhos, enquanto “Onã”, palavra de origem iorubá, significa caminho. Juntas, as expressões apontam para percursos possíveis construídos dentro do espaço da exposição.
Segundo a curadoria, as obras deixam de ocupar o espaço apenas como objetos expositivos e passam a atuar como estruturas que reorganizam a relação entre corpo, arquitetura e circulação do público.
A exposição ocupa uma área do museu que anteriormente funcionava como delegacia ligada à repressão de práticas culturais negras. A transformação do local em espaço artístico e cultural integra a proposta de ressignificação presente na mostra.
A exposição conta com patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura, com
apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, via Lei Aldir Blanc.





Comentários