Olojá celebra 5ª edição na Feira de São Joaquim com cortejo, xirê e programação cultural dedicada a Exu
- projetookandudu
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A Feira de São Joaquim, em Salvador, será novamente tomada pelos atabaques, pelo cortejo e pela força de Exu, neste sábado (7), durante a 5ª edição do Olojá – O Senhor do Mercado. A celebração, que reúne comunidades de terreiro, feirantes, artistas e público em geral, consolida-se como uma das principais manifestações culturais de matriz africana da cidade.
A edição de 2026 marca um momento simbólico na trajetória do evento: sua inclusão oficial no Calendário de Festas Populares de Salvador, por meio da Lei nº 9.892/2025, de autoria do Vereador João Cláudio Bacelar. Com o tema “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”, o evento reafirma o reconhecimento institucional de uma celebração que nasceu da articulação comunitária entre os terreiros.
O Olojá celebra Exu como senhor dos caminhos, da comunicação e das trocas simbólicas, econômicas e sociais, atributos diretamente ligados à dinâmica da feira.
“A energia de Exu é festa, alegria e movimento. Tudo isso representa Salvador e o Olojá: os ritmos, as danças, o cheiro, a culinária. E estar nesse território ancestral, que é a Feira de São Joaquim, maximiza essa força dinâmica”, afirma o babalorixá Rychelmy Esutobí, da Casa do Mensageiro, um dos fundadores do evento.
Terreiros e Partilha
Em 2026, o Olojá reúne 96 terreiros de Candomblé, organizados em 40 barracas, que distribuem alimentos gratuitamente ao público a partir das 12h. A partilha é um dos pilares da celebração e reafirma valores de coletividade, cuidado e responsabilidade comunitária presentes nas tradições religiosas de matriz africana.
Além do aspecto religioso e cultural, o evento também movimenta a economia local, ativa redes produtivas e fortalece o protagonismo dos povos de terreiro na ocupação cultural da cidade.
Palco Nagô
Um dos destaques da programação é o Palco Nagô, criado para dar visibilidade às expressões artísticas ligadas aos terreiros e à cultura afro-diaspórica.
“A ideia do Palco Nagô é dar visibilidade aos grupos oriundos de terreiro, sejam eles afoxés, samba ou outras manifestações culturais. É uma forma de valorizar as produções do povo preto e de terreiro”, explica Anane Dantayó, diretora geral e cofundadora do Olojá.
Entre as atrações confirmadas estão Bloco Afro Muzenza, Aisha Araújo e Bruno Odesì, Cortejo Afro, Omo Obá, Samba Trator e Ilê Aiyê, além de manifestações culturais como Xequere, Afoxé Pai Burukô, Coral e Roda de Capoeira.
A abertura do xirê, será conduzida pelo Projeto Mãos no Tambor.
Programação começou antes do dia principal
As atividades do Olojá se estenderam ao longo da semana que antecedeu a celebração principal.
No dia 28 de fevereiro, o 2º Bando Anunciador percorreu a feira convidando feirantes e visitantes para o evento, retomando uma tradição popular de convocação pública. Já no dia 4 de março, foi realizada a 1ª Feira de Acolhimento, Saúde e Redução de Danos Òná Ìtoju, iniciativa que ampliou o alcance social do evento com serviços de saúde, informação e acesso a direitos.
Nesta sexta-feira (6 de março), acontece a entrega das barracas aos terreiros participantes, seguida do Samba da Chegança, momento de confraternização com feijoada e apresentações de Alacorin e Viola de Isa.
Também será realizado o Mercado da Memória – 1ª Feira Preta São Joaquim Cultural, iniciativa voltada à valorização do empreendedorismo e da memória afro-diaspórica no território da feira.
Cortejo e xirê marcam o dia do Olojá
No sábado (7), o Olojá começa às 8h, com a concentração do cortejo que percorre a feira e abre oficialmente a celebração.
Às 11h, acontece o Xirê, ritual coletivo dedicado aos orixás. Ao meio-dia, tem início a distribuição de alimentos nas barracas organizadas pelos terreiros.
A partir das 14h, o Palco Nagô recebe apresentações musicais e manifestações culturais ao longo da tarde.
Para Dantayó, o evento também cumpre um papel importante na ressignificação da imagem de Exu na sociedade.
“O Olojá traz luz ao entendimento de que Exu é alegria, movimento, comunicação e prosperidade. É uma oportunidade de celebrar a cultura preta popular e a ancestralidade”, finaliza.




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